Desafios para a consolidação da Rede Federal pautam o segundo dia da Reditec Sul 2019

Potenciais e desafios para a consolidação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica foram os temas centrais das falas da manhã desta quarta-feira (15), na Reditec Sul 2019, em Frederico Westphalen (RS).

Foto: a mesa foi mediada pela reitora do IFFar, professora Carla Jardim

O painel contou com as apresentações do coordenador-geral de Planejamento, Orçamento e Gestão da Rede Federal na Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação, Weber Tavares da Silva Júnior; do presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), Jerônimo Rodrigues da Silva; e do sociólogo e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) Thiago Ingrassia Pereira.

Weber, que é docente do IFGoiás e ex-aluno, apresentou números da Rede Federal, destacou bons resultados e falou sobre prioridades da Setec. Um dos dados numéricos salientados por Weber foi o gasto corrente por matrícula na rede, o qual ganhou visibilidade há alguns anos e que em 2018 ficou em R$ 15.725,66, enquanto falou-se em valores muito mais elevados. Ele completou: “Se alguém fala que a rede é cara é porque não sabe o custo da ignorância” – e foi aplaudido pelo público.

Foto: Weber Tavares da Silva Júnior é docente do IF Goiás e atualmente exerce função na Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do MEC

O representante da Setec afirmou que a Secretaria entende como importante o papel da rede com a oferta de licenciaturas e deseja uma aproximação entre as redes federal, estadual e municipal, que ofertam ensino básico. Sobre as obras em execução e paradas nas unidades, frisou ser compromisso da Setec concluir e equipar as instalações para estarem aptas a funcionarem.

Entre as prioridades do órgão, Weber citou: a consolidação da rede federal, para que as unidades operem a plena capacidade; o acompanhamento dos resultados, com a sua otimização; a preservação dos recursos destinados à rede; a formação de profissionais da educação profissional e tecnológica – afirmando que, por isso, o ProfEPT será mantido -; a reformulação do Pronatec; e a busca de parcerias com outros entes.

Para presidente do Conif, a Rede Federal não é um projeto de governo

O presidente do Conif, Jerônimo Rodrigues da Silva, observou que a criação da rede federal é um projeto de Estado, e não de governo, mas é difícil buscar a consolidação em períodos nos quais a gestão do Ministério da Educação tem mudado tanto – segundo Jerônimo, nos cinco anos e meio em que atua como reitor do IF Goiás, passaram dez ministros da Educação e oito secretários da Setec.

Foto: o presidente do Conif também destacou a necessidade de divulgação das ações relizadas nos IFs

Frisou também que a consolidação da rede depende das pessoas e de parceria com os municípios, e é preciso fortalecimento para evitar a desmotivação. “Os dados mostram que estamos no caminho certo, mas precisamos estar mais próximos das nossas comunidades, atingir também aqueles que ainda não nos procuraram, dar condições adequadas aos nossos alunos.” Por fim, Jerônimo avaliou que os IFs fazem muito e precisam comunicar melhor esses feitos tanto dentro quanto fora das instituições.

O papel da educação ofertada pelos institutos federais diante de um cenário de ampla desigualdade social foi o norteador da última fala da manhã, do sociólogo da UFFS Thiago Ingrassia Pereira. Ao lembrar que o Brasil vive um processo histórico de distanciamento no acesso de estudantes oriundos de escolas públicas convencionais em relação às universidades e institutos, o pesquisador ressaltou a forte relação entre a desigualdade social e a desigualdade escolar. Nesse contexto, segundo ele, o acréscimo nos anos de estudo, bem como a formação profissional, são decisivos na mudança de perspectivas e oportunidades dos indivíduos.

Foto: o sociólogo da UFFS, Thiago Ingrassia Pereira, estuda o papel da educação ofertada pelos IFs

“Sabemos também que, ao procurar um instituto federal, geralmente o aluno tem uma expectativa pragmática, voltada a obter uma formação específica para o trabalho, mas a forma de atuação das escolas da Rede pode ressignificar a trajetória desse aluno”, destacou o pesquisador. De acordo com Thiago, uma das características diferenciadoras dos institutos federais é a perspectiva de formação para uma inserção nas estruturas produtivas sem que haja o descolamento de uma formação humana ampla.

Além de trazer subsídios para pensar as desigualdades no Brasil, o palestrante propôs uma reflexão sobre a promoção de mobilidade social operada pelos IFs, o lugar da Rede em um projeto de país e a problematização sobre a quem e a quê os institutos se destinam. O painel terminou com os questionamentos e depoimentos dos participantes a respeito dos temas abordados.

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